segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Experiência que precisam ser vividas


Após um break mais longo do que o planejado, retomo esse Blog para levar ao conhecimento de todos os possíveis interessados, informações sobre o mundo do vinho.  
Escolhi para nossa re-estréia uma experiência vivida e pela qual me apaixonei por unir três  grandes paixões: o cinema, o vinho e a gastronomia, numa iniciativa da Revista Prazeres da Mesa em parceria com o Sesc que aconteceu pelo segundo ano consecutivo no CineSesc .
A organização foi impecável e sob o tema: “Descobrindo as Américas: seus ingredientes e sua cultura” com a seleção de quatro Chefs para traduzir as emoções dos filmes exibidos em sabores e potencializando o envolvimento do público.
O mais interessante era mecânica do serviço. As pessoas se sentavam em fileiras alternadas e na poltrona à sua frente encontrava uma bandeja munida de palitos de neon, uma mini lanterna, taça, copo e um almofada em baixo para que se acomodasse bem ao colo. Após o início da sessão, os garçons circulavam discretamente entre as fileiras vazias servindo a todos. A disposição das cadeiras pela sala, foi um agente facilitador e que permitiu que os espectadores não tivessem sua atenção ao filme interrompida.
Assisti ao filme “Quanto mais Quente Melhor” com a magnífica Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon sobre a época da lei seca, na qual imperava o tráfico de bebidas. Após testemunharem um massacre feito por mafiosos, dois músicos se disfarçam de mulheres saxofonistas para escaparem. Esses dos fugitivos vivem grandes aventuras com uma banda composta somente por mulheres, sendo Marilyn uma delas. Um clássico dos anos 50 que foi muito bem acompanhado pelo menu idealizado por João Belezia (João Belezia Gastronomia): Charuto de truta defumada | Club Sandwich mini | Praia de farofa de côco com frutos do mar | Confit de faisão com molho de champagne | Manjar Marlyn...Tudo isso acompanhado pelo BELO JEAN LEON CHARDONNAY (ESPANHA), um vinho de estrutura, aromas cítricos, com notas defumadas, encorpado. Foi um espetáculo a parte! A vinícola Jean Leon é fruto da paixão de um espanhol nascido na região de Santander, mas que encontrou o sucesso em Beverly Hills ao lado do famoso sócio James Dean com quem fundou o restaurante LA SCALA, point das estrelas hollywoodianas da época. Após o sucesso do local, Jean Leon decidiu retornar a Espanha e encontrar o lugar perfeito para a realização de outro grande sonho: produzir vinhos em pequenas quantidades somente com castas franceses. Uma iniciativa ousada na época já que essas uvas ainda não eram cultivadas por lá. A vinícola é hoje de propriedade da famosa TORRES que manteve a mesma filosofia de seu idealizador e produz vinhos de PAGO¹ de primeira linha.

Uma experiência surpreendente e saborosíssima!!! ADOREI..
 ¹ Vinos de Pago são aqueles pertencentes a mais alta classificação de origem onde as  características próprias de solo e microclima o diferenciam e distinguem de outros em seu entorno, conhecido por um nome vinculado de forma tradicional e notória ao cultivo de vinhedos dos quais se obtenham vinhos com predicados e qualidades singulares (Fonte: Academia do Vinho).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011


Essa semana sentimos uma emoção diferente no ar causada pelo Natal. Foram muitos desejos de saúde, paz, harmonia, entre tantas outras coisas boas. O mundo vibrou positivamente, todas as pessoas estão na mesma sintonia regada pela fé em momentos futuros de muita felicidade. É essa a verdadeira magia do natal!! Não são os presentes, a ceia, as viagens, é a união MUNDIAL em pensamentos de bondade para si e para o próximo.

Aproveitando o ensejo, queremos registrar nossos votos de BOAS FESTAS E ENERGIA POSITIVA a todos que nos acompanham, nossos parceiros, amigos, enoapaixonados em geral. Que assim como os grandes vinhos, consigamos envelhecer com sabedoria e nos tornarmos melhores a cada dia.

E para não perder o costume: peru assado ou bacalhau com bastante azeite (no melhor estilo Gomes de Sá) ficam ótimos com um Pinot Noir, vinhos verdes ou um branco estruturado envelhecido em barrica.

Felicidades MIL da equipe TOUT DU VIN

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um mundo de sensações, 2ª parada: BARCELONA/ES

Grande cidade catalã consagrada em 1992 pelas Olimpíadas, terra do famoso arquiteto Antoni Gaudi, onde é fácil encontrar suas obras em diversos pontos diferentes como: prédios na Avenida Diagonal (Casa Calvet, Casa Milà), o Parque Güell, a Sagrada Família, entre outros. 
Um local que mistura a vida urbana com a praiana, onde as pessoas aproveitam muito os dias de sol para caminhar, pedalar, encontrar os amigos, passear pelos parques, enfim, curtir o clima delicioso que a cidade oferece.


É aqui também que encontramos uma das vinícolas mais reconhecidas e respeitadas do mundo, a Torres.
Localizada em Vilafranca del Penedès, aproximadamente uma hora de Barcelona, encontramos o que o verdadeiro “amor” pela terra e pela viticultura é capaz de gerar.
Tive a oportunidade de conhecer as instalações e vinhedos, assim como, ouvir um pouco da história dessa família que está ligada ao vinho por gerações.

A VINÍCOLA
A recepção e atenção dos profissionais foi espetacular. Vi coisas com as quais ainda não tinha me deparado, como tanques de aço inox para 70 mil litros que ficam posicionados na horizontal e giram em torno do próprio eixo para que a cor das peles das uvas seja extraída e impregnada no mosto. Passei por um túnel de aromas no qual são projetadas imagens dos ciclos das vinhas e, a cada momento, são lançados no ambiente os aromas característicos da fase mencionada.

O intenso cuidado e preocupação com o meio ambiente, com o desenvolvimento sadio das uvas (eliminaram o uso de pesticidas a mais de 20 anos) e com a verdadeira expressão do “terroir”, mostram o quanto a vinícola Torres está a frente de seu tempo.  Por toda a parte se vê painéis solares que geram 30% da energia que a vinícola consome. Outro fator curioso é a pesquisa e recuperação de espécies/vinhas típicas da região. Para tanto, colocam anúncios em jornais e revistas locais solicitando que as pessoas entrem em contato caso tenham parreiras não identificadas. Nesses casos amostras são recolhidas, seu DNA estudado e todo o seu ciclo vegetativo é acompanhado para avaliar a possibilidade de tratar-se de uma uva “extinta” e que possa apresentar resultados positivos na enologia. É impressionante ver as pequenas mudas em tubos de ensaio no laboratório.

Bom, o resultado são vinhos muito especiais, desde os mais simples – voltados para o consumo diário – quanto os especiais e consagrados, como o Mas La Plana que já foi escolhido pelos editores da Wine Enthusiast um dos melhores Cabernet Sauvignon do Mundo. Vale provar!!


Claro que para encerrar a visita não poderia ser diferente, senão com uma bela degustação: desfilaram em minha taça: o Milmanda Chardonnay, o Fransola Sauvignon Blanc, Perpetual (corte de Garnacha ou Cariñena) e Gran Murrales (aqui vemos uvas que vieram do processo de pesquisa como as autóctones: Garró e Samsó unidas as conhecidas Garnacha, Mazuelo e Monastrell para a produção deste vinho).  M A R A V I L H O S O S !!!

Tive mais um previlégio que acabou se tornando duplo, almoçar no restaurante da vinícola com uma harmonização clássica e conhecer de perto o responsável por tudo isso: DON MIGUEL TORRES. Momentos que ficaram eternizados na memória.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um MUNDO de sensações, 1ª parada: MADRID/ES

Nos últimos meses venho degustando o vinho de modo diferente e direto em sua fonte. Gostaria de compartilhar algumas experiências muito interessantes com vocês na busca de passar um pouco da emoção sentida através da vivência e dos contatos estabelecidos.

MADRID: a capital da Espanha foi a minha porta de entrada na Europa. Uma cidade de impressiona a começar pela facilidade de circular por ela. Para os turistas tudo está identificado em inglês, as pessoas são muito solicitas, tudo é muito limpo e organizado. Trombamos com a história em, praticamente, cada esquina.

Estive nos pontos mais badalados da cidade, tais como: o Palácio de Cristal, Museu do Prado, Parque del Retiro, Plaza de Cibeles, Puerta de Alcalá, Plaza Mayor, Catedral de la Almudena, entre tantos outros, mas foi no centro (próximo a Puerta del Sol) que tive meu primeiro mergulho na gastronomia local: Paella X Sangria.
Sei que muitos torcem o nariz quando se fala em sangria, mas isso porque no Brasil o vinho foi tão elitizado que precisa sempre vestir “terno e gravata”. Como preconceitos não fazem parte do um estilo. Dei-me a oportunidade de provar e...não me arrependi! É uma excelente opção para o verão, na beira da piscina, depois de um banho de mar e casa perfeitamente com a paella de frutos do mar. Fica a dica para receber os amigos nos dias de calor¹, mas use vinhos mais baratos feitos para o dia a dia. Os demais merecem ser tomados do modo convencional.
Passei dias quentes e maravilhosos por lá com muita gente bonita pelas ruas, barzinhos lotados, espetáculos a céu aberto. Um deles me obrigou a parar, pois uma orquestra sinfônica se apresentava em frente ao Palácio Real , cadeiras foram espalhadas pela praça para os visitantes, crianças brincavam com bolhas de sabão, casais enamorados, que atmosfera MARAVILHOSA, sobretudo a sensação de segurança e respeito.

Bem, o segundo grande momento eno-gastronômico  - e esse foi responsabilidade do meu ex-professor da Wine & Spirit – foi no Mercado de San Miguel, onde tive uma das mais memoráveis experiências sensoriais da minha vida: o casamento perfeito entre azeitonas e Jerez Amontillado², simplesmente DOS DEUSES. Nunca fui uma grande fã deste tipo de vinho, mas  depois da dica e estando na terra destes dois produtos, me arrisquei.  Foi algo impressionante como os sabores individuais se abraçam, se combinam e se transformam numa explosão de untuosidade, aromas, toques ácidos, sal e álcool elegantes, sabores quase mastigáveis...INSQUECÍVEL! O Mercado de San Miguel é uma excelente alternativa para quem quer degustar os sabores madrilenhos e conta com uma arquitetura que merece atenção.

¹ - Receita de Sangria: escolher frutas cítricas de sua preferencia (laranja, maçã, abacaxi) e picá-las em cubinhos, uma lata de refrigerante de limão, uma dose de licor de laranja, uma garrafa de vinho tinto seco, meio copo de suco de laranja, alguns cravos-da-índia, açúcar e gelo a gosto. Misture tudo numa jarra, enfeite com fatias de laranja e limão.

² - Jerez Amontilado:  é feito pelo sistema de solera e criadeira em que os vinhos envelhecem em barricas de madeira preenchidas apenas em 5/6 de seu volume. Essas barricas são empilhadas, sendo que a barrica próxima ao solo é denominada solera e as barricas acima são as criadeiras. Todos os anos com a safra nova, 1/3 do vinho da barrica da solera é engarrafado e vendido e esse volume é completado por 1/3 da criadeira anterior, até o topo que é completado pela safra nova que foi vinificada recentemente.  Esse trabalhoso processo de “saca e rocio” faz com que o vinho desenvolva aromas e sabores muito peculiares. Existe uma camada de leveduras chamada “flor”, impede que o vinho se oxide durante o processo de solera, no caso do amontilado essa flor desaparece durante o processo e permite que vinho se oxide até o seu engarrafamento.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Excelência em Serviços

Sei que em meu último post mencionei que os próximos escritos seriam sobre as viagens e contatos realizados pelo mundo do vinho afora, mas, essa semana assisti a uma palestra com Regina Maluta que é recrutadora do Disney International Programs, e não posso deixar de traçar um paralelo entre o que ouvi e o universo enogastronômico.
Para começar vale um destaque as premissas básicas da Disney:

- os funcionários devem projetar uma imagem positiva e passar energia/entusiasmo ao cliente;

- devem ter em mente que não vendem PRODUTOS, vendem EXPERIÊNCIAS.

- a intenção é sempre exceder as expectativas dos clientes (muitas vezes isso não custa NADA)

Bom, mediante a isso pensemos no mercado de vinho (em todas as áreas onde ele é trabalhado: lojas, sites, restaurantes e afins), já me deparei com muitas situações que me deixaram de boca aberta, tanto no sentido positivo como negativo. Certa vez estava numa loja quando ouvi (sem querer...rs!) a conversa de um vendedor com o cliente que procurava um vinho para acompanhar frutos do mar. Foram-lhe passadas algumas opções e vendo a dúvida em seu rosto o vendedor "trocou em miúdos" explicando o que e porque de cada um dos vinhos. Foi uma venda de poucas garrafas, mas a satisfação do cliente por todo esse cuidado não deixaram dúvidas de que ele havia sido conquistado. Em contrapartida, vivencie uma experiência num restaurante de renome da cidade de SP, a comida era divina, a carta de vinhos bem montada, o ambiente super gostoso, mas a qualidade do atendimento antagonizava com todo o resto. Um horror!!! Resultado: foi a minha primeira e última vez neste local. Algumas empresas se esquecem de que é a satisfação do cliente que gera fidelidade. O cliente quer ser bem tratado e respeitado. Isso é muito simples e está ao alcance de todos.
Pergunte o nome dele quando chegar ou no momento da reserva e trate-o pelo nome. Se voltar mais de duas vezes, descubra onde mais gosta de sentar, ou qual estilo do vinho e então faça sugestões pensando no que lhe proporcionará prazer, independente de preço, pois ele em nada significa satisfação. Nunca empurre produtos, pense se você mesmo ficaria feliz com aquela escolha antes de tentar que outros a adquiram. Tratar de modo individual e com deferência é o que garantirá a sobrevivência num mercado cada vez mais competitivo, portanto, a qualidade do serviço é essencial.
Deixo como exemplo de atendimento a equipe do restaurante PARIGI, eleita a melhor brigada de SP pela revista Prazeres da Mesa em Junho/2011. Do cumin ao gerente sempre se vê um sorriso no rosto, uma educação primorosa, atenção total enquanto falamos com eles (olho no olho), um verdadeiro ballet sincronizado no salão, tudo enriquecido por uma atmosfera deliciosa, além dos pratos do Chef Eric Berland que são simplesmente maravilhosos ainda mais quando harmonizados aos vinhos da excelente carta cuidada com muito zelo por Rogério Cunha e Manoel Beato. Fica registrado o meu parabéns a todos!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

NOVIDADES EM PRIMEIRA MÃO

Olá queridos seguidores, tudo bem? Nosso blog está se atualizando, viajando e aprendendo direto com os enólogos para trazer mais informações sobre o maravilhoso mundo do vinho em primeira mão para vocês. AGUARDE e delicie-se com nossas experiências.

Eno-abraços.

Marcia Gombos

quarta-feira, 13 de julho de 2011

GARRAFA: UMA IMPORTANTE ALIADA

Além de ser o recipiente que melhor se adaptou ao vinho e que facilita seu transporte, as garrafas também podem nos dar dicas sobre o que encontraremos ao abri-la, se mostrando assim uma grande aliada.

Na hora de escolher um vinho, a imagem e “porte” da garrafa nos fornece indicativos a respeito do líquido que ali se encontra. Repare na existência de garrafas que parecem se destacar nas prateleiras em meio as demais. Elas são maiores, mais robustas e pesadas, outras mais “gordinhas”, no entanto,  ao checar seu volume constata-se ser o mesmo, exemplo, 750ml. Isso acontece porque os produtores traduzem para este invólucro, características existentes em seus vinhos.

A garrafa tem sido o recipiente ideal para o armazenamento de vinhos desde séculos atrás e, é por sua causa que estes podem viajar por longas distancias e ainda se manterem íntegros. Ela também é fundamental no processo de envelhecimento, posto que os considerados  “vinhos guarda¹” se beneficiando de um “descanso”, uma vez que num primeiro momento se mostram duros, difíceis e sem qualquer expressividade e, depois de alguns anos (cada vinho precisa de um período diferente) envelhecendo,  desabrocham todo seu potencial.

O Champagne é um exemplo clássico do papel fundamental da garrafa na produção, pois neste caso, é dentro dela que acontece a segunda fermentação e toda a classe e elegância de um dos vinhos mais célebres do mundo se desenvolve.

MODELOS CLASSICOS UTILIZADOS

As garrafas são compostas de quatro partes distintas: base, bojo/corpo, pescoço e gargalo (muitas possuem também ombros).

Existem vários modelos e cada um desempenha uma função diferente , portanto, são indicadas para tipos de vinhos distintos:

- Bordalesa (França) = de corpo reto e ombros são as mais comuns e utilizadas para a maioria dos tintos e alguns brancos;

- Borgonhesa (França) = com bojo/corpo mais arredondado e sem ombros, indicada para tintos mais delicados (Pinot Noir) e brancos;

- Renana (Alemanha) = sem ombros, mais delgada e alta que a borgonhesa, para brancos;

- Champagne (França) = alta e robusta, para vinhos espumantes.

Note que falamos de formatos e não de tamanhos. Nesse quesito a diferença principal é a capacidade, veja:

PARA VINHOS TRANQUILOS – Garrafa comum: 750ml  /  Meia-garrafa: 375ml  /  Miniatura: 175ml  /  Magnum: 1,5l.

PARA CHAMPAGNE E ALGUNS TINTOS - Jeroboam: 3l  /  Rehoboam: 4,5l  /  Methuselah ou Imperial: 6l  /  Salmanazar: 9l  /  Balthazar: 12l  /  Nebuchadnezzar: 20l

Claro que é possível encontrar milhares de outros formatos disponíveis no mercado, afinal, o produtor pode desenvolver um design exclusivo para o seu vinho, e seja lá como for, vale lembrar que a preocupação e empenho em “vestir uma roupa” bonita denota a preocupação com a boa imagem, sendo um item a se considerar no momento da escolha.

¹ São vinhos de muita estrutura e longevidade que ganham com o passar do tempo se tornando melhores quando mais maduros (mais velhos).