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Esse é um detalhe simples no serviço do vinho, mas que implica e muito nos resultados de uma degustação. A temperatura incorreta irá desaparecer com aromas típicos e importantes, ou ainda, ressaltar pequenos defeitos.
Segundo Mauro Celso Zanus – pesquisador da Embrapa Uva e Vinho – “Numerosas substâncias voláteis e não voláteis determinam a percepção do aroma e sabor dos vinhos. A temperatura é uma medida do grau de movimento (energia cinética) destas substâncias e afeta a intensidade e o perfil dos estímulos sensoriais que são enviados para o cérebro.”
Resumindo, se pensarmos num vinho branco feito com a uva Gewuztraminer, muito produzida na Alsacia/França e de excelentes resultados no Chile, este será fragrante, de rico leque aromático (floral) e de ótima acidez, mas se servido acima da temperatura ideal, ficará com aromas fechados, acídulos e alcoólico. Além de ter seus possíveis defeitos camuflados.
O Brasil com seu clima tropical de dias quentes e pouco frio nos obriga a refrescar os vinhos, embora muitos digam que o correto é servi-lo em temperatura ambiente. Isso não deixa de ser verdade quando falamos de países em que a média não ultrapassa os 16º ou 18ºC.
E qual a melhor alternativa para refrescar o vinho se você não tiver uma adega?
Primeiramente, guarde as garrafas em local fresco e ao abrigo da luz para garantir a integridade do conteúdo. Uma hora antes de abrir, coloque na geladeira, ali na parte mais baixa onde normalmente ficam os legumes. Evite a porta, pois nela o vinho será agitado a cada abertura, provocando eventuais alterações.
NUNCA coloque o vinho diretamente no freezer, pois o choque térmico modifica suas características.
O melhor aliado para se atingir a temperatura ideal de brancos e espumantes é o balde de gelo. No primeiro caso, coloque água gelada, algumas pedras de gelo, um punhado de sal grosso (que evita um rápido derretimento) e álcool para que a mistura resfrie de modo mais acelerado. Mergulhe a garrafa até o gargalo. Depois de uns 20 minutos, sirva a todos e volte à garrafa para o balde. Quanto aos espumantes o procedimento é o mesmo, mas pode caprichar na quantidade de cubos de gelo, pois esse vinho precisa estar em temperaturas bem mais baixas que os demais, confira:
TEMPERATURAS RECOMENDAS
20ºC – tintos envelhecidos por muito tempo, estruturados e complexos;
18ºC – tintos estruturados, Portos mais complexos;17ºC – tintos de médio corpo e de qualidade;
15ºC – tintos jovens e com pouco tanino, frutados e leves;
12ºC – tintos licorosos, Porto Tawny e Ruby;
11ºC – brancos secos de boa qualidade e complexidade, vinhos roses;
10ºC – Champagne envelhecidos e de qualidade, Porto branco;
09ºC – espumantes brut mais complexos, vinhos brancos secos em geral;
08ºC – espumantes brut e prosecco, vinhos brancos aromáticos;
07ºC – brancos doces;
06ºC – espumantes demi-sec;
05ºC – Moscatel e Asti
Calma, não precisa entrar em pânico!! Você saberá com o tempo quando a temperatura estiver de acordo ou não. Na dúvida é preferível que esteja mais frio que quente, pois neste caso basta ter um pouquinho de paciência e “voilà” a temperatura ambiente fará com que o vinho desabroche seus aromas, daí basta curtir.
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